quinta-feira, 12 de março de 2026

São José de Ribamar: Denúncia no MPE poderá tirar filho de prefeito das eleições

 

Desde que o atual prefeito anunciou a pré-candidatura do filho para deputado estadual, a prefeitura parece ter ganhado um "interino" não eleito: o próprio filho do prefeito.

A estratégia é tão clara quanto audaciosa, pois o jovem herdeiro, sem nunca ter recebido um único voto ou possuir cargo oficial que justifique tais atos, assumiu o protagonismo (desastroso, diga-se de passagem) da administração. Ele representa o pai na abertura dos trabalhos legislativos, despacha em secretarias de Estado e desembarca em Brasília, circulando por ministérios como se detivesse a chave da cidade. Tudo isso, é claro, devidamente editado e impulsionado em suas redes sociais.

O Marketing da Ilusão vs. A Cidade do Avesso

Enquanto o "prefeito por procuração" desfila em eventos oficiais e posa para fotos em gabinetes refrigerados, o município enfrenta o caos, relatos de moradores apontam que, longe das lentes dos celulares, a cidade está "do avesso". A dicotomia é perversa: de um lado, a ostentação de influência política para alavancar uma pré-candidatura; do outro, uma população que assiste ao sucateamento dos serviços básicos enquanto a estrutura pública serve de trampolim familiar.

A Justiça Eleitoral entra em Campo

Essa "estratégia" de autopromoção, no entanto, acaba de colidir com a realidade jurídica. Uma denúncia formal foi protocolada no Ministério Público Eleitoral (MPE), detalhando o que especialistas chamam de combo de ilegalidades: abuso de poder político, uso indevido da máquina administrativa e conduta vedada a agente público.

O cenário jurídico para a família no poder é sombrio, de acordo com a Lei Complementar nº 64/90 e a Lei das Eleições (9.504/97), as sanções não são apenas multas, mas golpes fatais em carreiras políticas:

  • Para o Filho (pré-candidato): A "brincadeira" pode custar a impugnação imediata de sua candidatura e uma inelegibilidade de 8 anos, dando um fim ao sonho de herdar o espólio político do pai antes mesmo da abertura das urnas.
  • Para o Pai (Prefeito): Ao permitir que um particular usurpe funções públicas para fins eleitorais, o prefeito coloca o próprio mandato em xeque, ele arrisca a cassação e também a inelegibilidade, o que implodiria os planos do filho sonhar chegar à Assembleia Legislativa.

Conclusão: O Limite da Ética

A confusão entre o que é público e o que é privado é uma chaga que o Brasil luta para extirpar, quando um gestor permite que seu filho utilize a estrutura da máquina publica como se fosse sua herança pessoal, ele não apenas fere a lei, mas insulta o cidadão que paga impostos.

A denúncia no Ministério Público Eleitoral sinaliza que o tempo da impunidade pode estar chegando ao fim. A política não é um playground familiar, e as instituições parecem prontas para lembrar ao "herdeiro" e ao seu mentor que a caneta do poder pertence ao povo, e não ao DNA da família.



 


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