Para entender o atual descalabro na Câmara de Ribamar, é preciso olhar para o DNA político da presidente Francimar Jacintho e relembrar do "Escândalo do Mocotó".
Seu pai, ex-vereador Mazinho (o mesmo que acumulava juntamente com o seu marido cargo na Câmara Municipal de Raposa e na prefeitura de Ribamar sem o incômodo prazer de trabalhar), compadre de batismo do prefeito, forneceu no primeiro mandato do seu compadre, nada menos que mocotó para o hospital municipal, uma "dieta" exótica paga com dinheiro público que não apenas rendeu a reprovação de contas de Dr. Julinho, como imortalizou a imagem de uma gestão que confunde o balcão do açougue com o erário.
Trinta anos depois, o mocotó deu lugar à placa vermelha, mas o cheiro de favorecimento continua o mesmo.
O Taxista que não faz praça
A denúncia da vez recai sobre o esposo da vereadora, pois em 2025, em uma manobra que desafia a ética e a meritocracia, ele foi agraciado pela prefeitura com uma concessão de táxi. Munido da placa vermelha e dos generosos descontos tributários (IPI e ICMS) destinados a quem realmente sobrevive do volante, adquiriu um HB20 zero quilômetro.
O problema? O beneficiário não transporta nenhum passageiro, não é visto em pontos de táxi e desconhece a rotina de quem labuta no trânsito ribamarense com ruas cheias de buracos. O veículo, que deveria servir à mobilidade urbana, tornou-se um acessório de luxo para o marido de Francimar Jacintho.
O Estacionamento da Impunidade
O deboche atinge o ápice todas as tardes, enquanto o marido acompanha a agenda da esposa, o HB20 de placa vermelha repousa triunfante na vaga exclusiva para Pessoa com Deficiência (PcD) da Câmara Municipal.
É o retrato do privilégio escancarado:
O benefício fiscal e a utilização de uma vaga de estacionamento institucional são benefícios para cargos que o marido da presidente da Câmara nunca exerceu, a ausência de fiscalização paira sobre um clã que parece acreditar que as leis são meras sugestões.
A conta chega para o povo
Enquanto o cidadão comum de Ribamar enfrenta dificuldades para conseguir licenças ou serviços públicos, o entorno da presidência da Casa Legislativa desfila com "troféus" de uma gestão marcada por denúncias recorrentes, desde o acúmulo ilegal de cargos de parentes em Raposa e Ribamar até o atual táxi de fachada.
A gestão de Francimar Jacinto é um teste de paciência para as instituições de controle. Do mocotó do pai ao "Taxi Fantasma" do marido, o tapete vermelho da Câmara segue estendido para práticas que atropelam a moralidade. Até quando o silêncio dos órgãos fiscalizadores será o combustível para o carro da prepotência?